sábado, 6 de março de 2010

8 de março e as rosas murchas


Na próxima segunda-feira, dia 8 de março, celebra-se mais um Dia Internacional da Mulher.

Celebrar, comemorar, festejar... Nenhuma dessas palavras retrata a realidade da condição das mulheres no mundo. Mesmo assim, insistem em presentear-nos com rosas, simbolizando a beleza da mulher. Porém, não é só isso: a rosa representa a fêmea, a frágil, a beleza externa que um dia irá murchar e tornar-se desinteressante. Além disso, a rosa é uma das flores mais populares que existem; como as mulheres, são cultivadas para serem as mais atrativas na eterna disputa por uma mão, um vaso, ou um jardim que as possua. Logo, mulher e rosa são tratadas como objetos fáceis de achar, comercializáveis e descartáveis assim que não podem mais cumprir as funções para as quais foram incumbidas: encantar, dar prazer, multiplicar.

Em 1949, Simone de Beauvoir em seu "O Segundo Sexo", perguntava o que é a mulher. E, segundo sua conclusão, "não se nasce mulher, torna-se." Sim, torna-se rosa. A rosa frágil, a flor delicada, a fêmea, submissa, que não pode existir sem um cuidado (o familiar e, em seguida, o matrimonial). Os espinhos não garantem à rosa sua própria proteção, afinal, podem ser cortados (e quase sempre são, para que ninguém se machuque com eles).

Muitas mulheres aceitam sua condição de rosas: são cobertas com lindas pétalas e vivem para mantê-las sempre atraentes. Seu interior é mantido e educado pela família, para que a mulher preocupe-se apenas com sua beleza, habilidade e fragilidade femininas. Então, nascem os espinhos: a pseudo-independência da mulher, que agora tem a chance de mostrar tudo o que sabe de sua função social. Seduzem, são seduzidas, frustram-se, perdem cor, deixam-se ter um ou outro espinho arrancado por "amor" - sem que percebam, já perderam todos. Agora, como quando dependiam da Família, dependem do casamento, do amor-obrigação, dos filhos (botões) como defesa, mesmo que sofram. Afinal, nenhum sofrimento pode ser maior do que ter sido uma rosa descartada, uma rosa nunca desejada.

Mas é claro... uma vez por ano temos o nosso dia, somos homenageadas, agradecidas por sermos rosas, mulheres, envaginadas, procriadoras, dependentes. Se não ganhamos rosas, ganhamos perfumes, kits de maquiagem, uma tarde no salão de estética ou no shopping. GANHAMOS O DIREITO DE CONFIRMAR O QUANTO NOS DEIXAMOS SER ESTÚPIDAS!



Neste 8 de março, recuse a rosa, a fragilidade, a moda, a estética! Aceite seu corpo, seus desejos, suas fantasias, ACEITE-SE COMO PESSOA! Não se deixe enganar pelo conceito de puta, não seja vítima, não seja frágil, não fique só na esperança de algo vá mudar e FAÇA ALGO PARA MUDAR! A condição e a falta da união do/no movimento feminista acontece porque colocamo-nos no papel de vítima sem perceber e achamos que estamos mudando algo. A mudança não virá com conversa, acontecerá com ações, dentro e fora de casa. COMECE POR VOCÊ! DESCUBRA-SE! LIBERTE-SE!

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